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“Bullying político” motiva saída de Siraque do PT

Vanderlei Siraque entregou nesta quarta (17) ao novo presidente do PT de Santo André, José Paulo Nogueira, sua carta de desfiliação do partido. No texto, o ex-deputado dá a entender que feridas abertas desde a eleição municipal de 2008 ainda não foram cicatrizadas.

Ao relembrar sua trajetória junto à militância – dos movimentos sociais à consolidação do Partido dos Trabalhadores -, Siraque alega que, apesar do respeito e da fidelidade ao PT , não vinha mais encontrando espaço em administrações petistas (em âmbitos locais e federal) desde 2014, quando não conseguiu se reeleger para a Câmara dos Deputados. “Fui politicamente preterido, apesar de nossos adversários lá estarem, inclusive o atual prefeito de Santo André (Paulo Serra, secretário de Mobilidade Urbana e Obras do ex-prefeito Carlos Grana), o qual certamente desenvolveu o seu papel e deu a sua contribuição.”

Para Siraque – que ocupou três mandatos de vereador, três de deputado estadual e 1 de deputado federal pelo PT -, a “falta de companheirismo e um comportamento inexplicável” da coordenação do partido em Santo André se arrastam desde 2007, quando venceu as prévias para disputar a Prefeitura no ano seguinte (foi derrotado por Aidan Ravin, no segundo turno). O racha interno (um grupo defendia a candidatura da então vice-prefeita petista Ivete Garcia) pesou na ocasião.

Segundo Siraque, a partir desse episódio, teve início uma tentativa de desconstrução de sua imagem, política, e até pessoal. Algo que ele classifica como verdadeiro “bullying político” – difícil de contornar quase dez anos depois.

Ainda pesou o fato de Siraque não ter sido candidato a prefeito novamente em 2012 (com apoio do ex-presidente Lula, o então deputado estadual Carlos Grana concorreu e venceu), a falta de apoio para sua reeleição para deputado federal em 2014 e não ter sido chamado para participar da campanha pela reeleição de Grana, em 2016. Opinião do blog: diante do resultado do pleito, nesse caso, foi melhor mesmo ter ficado em casa.

“Em 2012, preferi ficar na minha, mesmo aparecendo em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto. Dois anos depois (a perda da cadeira na Câmara Federal), acabou fortalecendo os adversários em Brasília e em Santo André”, comenta.

Excluído

Siraque afirma que o PT andreense caminha no sentido inverso das sugestões de reestruturação partidária que chegou a apresentar e da condução de um novo projeto político. Como o BLOG DO BAENA antecipou em março, ele já havia manifestado o desejo de concorrer novamente ao cargo de deputado (a definir federal ou estadual), mas teria concluído que não é prioridade do partido para as eleições de 2018. Também garante que não quer ser “figurinha” para angariar votos para os “figurões” num cenário de falta de diálogo, de debates sérios e transparentes e de imposição de ideias (referindo-se ao diretório municipal do petismo).

“E como não tenho mais disposição física e emocional para o embate, minha luta por espaço político se esvaiu”, comenta. O ex-deputado e ex-vereador concluiu sua longa carta de saída do PT lembrando Raul Seixas: “Sonho que se sonha só / É só um sonho que se sonha só / Mas sonho que se sonha junto é realidade“.

O destino partidário de Siraque ainda não está definido. Apesar do PCdoB ser a principal aposta, a escolha vai depender de conversas sobre espaço e apoios para a eleição de 2018 (lembrando também do quociente eleitoral). Já se ventila PSOL e PDT como outras possibilidades. Por hora, sua esposa, a vereadora Bete Siraque, segue no PT.

O blog tentou contato com José Paulo Nogueira, presidente do PT de Santo André, para repercutir a saída de Siraque do partido e suas motivações, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

(Atualização)

Às 23h30 desta quarta, Nogueira retornou contato do blog e se limitou a declarar que “o PT lamenta, sim, a saída de Siraque”.

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