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Após Diadema, Mauá e São Caetano também podem deixar o Consórcio do ABC?

Bastou a Câmara de Diadema aprovar o pedido de saída do município do Consórcio Intermunicipal Grande ABC, para começarem as especulações envolvendo outras cidades da região. Nos bastidores políticos, há quem aposte que o desembarque de Mauá e São Caetano é uma questão de tempo.

O burburinho se deve ao fato de os prefeitos Atila Jacomussi (PSB), de Mauá, e José Auricchio Júnior (PSDB), de São Caetano (foto), não estarem assim tão alinhados com a “panelinha” do chefe do Executivo de São Bernardo – e atual presidente do Consórcio -, o tucano Orlando Morando (com apoio irrestrito de Kiko Teixeira, PSB, de Ribeirão Pires, Paulo Serra, de Santo André, e Gabriel Maranhão, de Rio Grande da Serra, ambos do PSDB). A verdade é que todo esse movimento se deve muito mais a questões político-partidárias do que a interesses regionais.

Tanto Auricchio quanto Lauro Michels (PV), prefeito de Diadema, já foram muito mais próximos do grupo de Morando (Michels, principalmente). Hoje em dia, ambos estão entrosados com o deputado federal Alex Manente (PPS), adversário de Morando em São Bernardo nas eleições municipais do ano passado – tanto que Thiago, filho de Auricchio, é nomeado no gabinete de Manente, em Brasília, e o deputado indicou nomes para cargos em São Caetano. Em Diadema, Manente teve papel decisivo para que a bancada do PPS voltasse à base de apoio de Lauro, devolvendo ao prefeito a maioria na Câmara.

Procuramos os prefeitos de Mauá e São Caetano. Segundo Atila – que aparentemente também não está lá muito chegado à turma de Morando – não existe nada nesse sentido (sobre um possível pedido de saída de Mauá do Consórcio) e “a entidade é importante para atender políticas regionais e integrar as cidades”, tendo inaugurado recentemente um escritório em Brasília para facilitar a intermediação visando recursos federais.

Até o fechamento desta matéria, a assessoria de imprensa da Prefeitura de São Caetano não tinha uma resposta oficial ao questionamento do blog. O celular de Auricchio estava na caixa postal. É bom lembrar que em 2018 tem eleição para deputados estaduais e federais.

Diadema fora

Por 14 votos a 6, em dois turnos, a Câmara de Diadema aprovou, nesta quinta (06), a saída da cidade do Consórcio. Os oposicionistas a Michels questionaram a proposta, mas agora são minoria na Casa e caberá ao prefeito sancionar o projeto. O vereador Orlando Vitoriano (PT) não compareceu a sessão, alegando problemas de saúde.

Diadema ainda tem uma dívida de quase R$ 9 milhões com o Consórcio. O objetivo de Michels é quitar o montante por meio de um parcelamento – em meio a críticas à entidade, ele alegava não ter condições de honrar um financiamento e o repasse mensal de recursos, ainda que o percentual investido pelos municípios tenha sido reduzido no começo deste ano (de 0,5% da receita ordinária líquida de cada localidade para 0,25%).

Tudo vai depender agora do humor de Morando diante do revés sofrido – uma vez que a decisão (sobre a saída) foi repassada para o Legislativo diademense quando o prefeito não tinha maioria dos votos para a aprovar o pedido, mas o jogo virou com o apoio dos três vereadores do PPS a Michels: Audair Leonel, Companheiro Sérgio (Sérgio Ramos da Silva) e Boquinha (Jeoacaz Coelho Machado). O presidente do Consórcio já alertou que pode pedir a execução da dívida na Justiça.

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