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Projeto Moeda Verde é expandido e já contempla três núcleos de Santo André

O projeto Moeda Verde já atingiu a marca de 2.150 kg de materiais recicláveis coletados apenas no Núcleo dos Ciganos, no bairro de Utinga, onde foi implantado de forma piloto, em novembro do ano passado, sob a coordenação do Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André). Devido ao sucesso, a iniciativa foi estendida a mais dois núcleos da cidade: dos Ciprestes e Capuava.

Por meio do Moeda Verde, a população carente troca 5 kg de resíduos recicláveis por 1 kg de alimento do tipo hortifrúti. Óleo de cozinha usado é encaminhado ao Instituto Triângulo, parceiro do projeto, e trocado por sabão. A cada dois litros de óleo entregues, os moradores recebem duas barras de sabão.

Durante o lançamento no Núcleo dos Ciprestes, no final de abril, quase 375 kg de plásticos, vidros, ferro, papel e papelão foram reunidos e entregues pela população, que levou para casa mexerica, batata doce, escarola e alface, por exemplo. A expectativa do Semasa é atender 100 famílias da comunidade.

Moradores do Ciprestes entregam 375 kg de recicláveis na primeira troca do Moeda Verde na comunidade e levam para casa frutas, verduras e legumes

Práticas de sustentabilidade

“Esse projeto recoloca nossa cidade no protagonismo com boas práticas de gestão pública. As pessoas levam o alimento para casa, mantêm a comunidade mais limpa e ainda desenvolvem consciência ambiental, a consciência de que se a gente cuida do nosso espaço, a cidade fica bem melhor”, ressalta o prefeito Paulo Serra (PSDB).

Prefeito Paulo Serra explica que o principal critério para a escolha dos locais de implantação do projeto é a existência de um ponto de descarte irregular próximo

O projeto tem como metas sensibilizar os moradores das comunidades para a importância da separação correta dos resíduos (todo material entregue é encaminhado para a triagem e revendido pelas cooperativas de reciclagem parceiras da cidade) e para práticas de consumo consciente, além de combater a fome e a disposição irregular de lixo em pontos viciados próximos. Só neste ano, o do Ciprestes (na rua Caminho dos Vianas com a rua Angelim) já foi alvo de 55 operações de limpeza, que removeram mais de 165 toneladas de resíduos, ao custo de quase R$ 30 mil.

Já no Capuava, o segundo beneficiado pela chegada do Moeda Verde – também no final de abril – fica o pior ponto de descarte irregular de lixo de Santo André: junto à avenida dos Estados, na altura do número 11.300 (próximo à rua Arraial do Cabo). De janeiro a março, foram gastos cerca de R$ 200 mil para efetuar os serviços de remoção de 1.131 toneladas de lixo do espaço, que recebe ações de limpeza semanais, segundo o Semasa. A expectativa da autarquia é, além de eliminar o ponto viciado, promover a revitalização da área.

Outros pontos

Além do ponto na avenida dos Estados, próximo ao Núcleo Capuava há outros três locais que sofrem com o despejo ilegal de lixo – e que devem se beneficiar com o Moeda Verde. Um fica na rua Malaia, o segundo na rua Gasconha e o terceiro na travessa Gasconha. Nestes três locais já foram gastos mais de R$ 140 mil, desde o início do ano, para que fossem removidas cerca de 800 toneladas de lixo.

A ideia é que a própria comunidade se conscientize sobre a importância de manter os locais limpos, destinando corretamente os resíduos. Inicialmente, a previsão é ter a adesão de cerca de 100 famílias do núcleo ao projeto. “Nosso critério inicial para a implantação é a proximidade com os pontos de descarte irregular mais graves da cidade e nosso objetivo é eliminá-los. O estímulo para as pessoas criarem esta consciência ambiental é poder levar o alimento para casa. Lixo virar alimento é só na cidade de Santo André”, afirmou o prefeito.

O primeiro da fila para fazer a troca no Capuava era o aposentado Raimundo José do Nascimento, que reuniu 20 kg de resíduos recicláveis e levou para casa 4 kg de alimentos

“Estou bem satisfeito porque este ponto de descarte aqui é muito antigo e há muito tempo queríamos o fim dele”, disse o o aposentado Raimundo José do Nascimento, de 72 anos, primeiro da fila para fazer a troca no Núcleo Capuava. Ele reuniu quase 20 kg de resíduos recicláveis e levou em troca 4 kg de alimentos. “Em uma semana eu e minha mulher coletamos isso tudo.” Em toda a comunidade foram coletados quase 140 kg de recicláveis no primeiro dia do programa.

Transformação

No Núcleo dos Ciganos, onde vivem cerca de 800 famílias, o ponto de descarte irregular de lixo que existia na rua Júlio Pignatari – e era considerado um dos piores do município – foi transformado em estacionamento. No terrado ao lado, foi construída uma nova estação de coleta seletiva.

Além do Instituto Triângulo, as ações do Moeda Verde são promovidas pelo Semasa em parceria com Banco de Alimentos (do Núcleo de Inovação Social da Prefeitura), secretarias de Saúde e de Cidadania e Assistência Social, Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André), Agricultores Urbanos do Marajoara e NUPE (Núcleo de Projetos Especiais) de Santo André.

As trocas na van do Moeda Verde ocorrem quinzenalmente, sempre a partir das 14h. Às terças-feiras no Núcleo Capuava, às quartas-feiras no Núcleo dos Ciganos e às quintas no Núcleo dos Ciprestes.

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