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Médica em São Bernardo, Thelma é a grande vencedora do “BBB20”

Profissional da saúde, que pediu demissão para entrar no reality show da Rede Globo, desbancou as famosas Rafa e Manu e levou o prêmio de R$1,5 milhão

A Rede Globo encerrou na noite desta segunda-feira (27) mais um “Big Brother Brasil”. A vigésima e histórica edição do reality show consagrou a médica Thelma Assis, de 35 anos, que venceu o programa com 44,10% dos votos do público e conquistou o prêmio de R$ 1,5 milhão, desbancando a influenciadora digital Rafa Kalimann (34,81%) e a cantora e atriz Manu Gavassi (21,09%), numa edição que misturou anônimos e convidados famosos.

Casada com o fotógrafo Denis Santos, a paulistana Thelminha tem uma história de superação. Filha adotiva e de família pobre, sua primeira vitória foi se formar em Medicina, contrariando todas as estatísticas, como lembrou o apresentador Tiago Leifert. Mulher preta e empoderada, ela é anestesiologista e tinha como um de seus locais de trabalho o Hospital de Clínicas de São Bernardo do Campo, no Grande ABC, onde era responsável pelos médicos residentes e de onde chegou a pedir demissão, inventando uma desculpa para viver o sonho de participar do “BBB”. O Blog do Baena contou essa história.

A vigésima edição do “Big Brother Brasil” – recorde de audiência dos últimos 10 anos (a final marcou 34,2 pontos de média na Grande São Paulo com 53% de share, participação no total de aparelhos ligados) – foi marcada por questões como machismo e preconceito racial. As três mulheres que chegaram à final foram decisivas no combate aos machos tóxicos, que foram sendo eliminados um a um no início da competição (Lucas Chumbo, Petrix Barbosa, Hadson Nery, Lucas Gallina e Guilherme Napolitano). Mais adiante, saiu Felipe Prior, o vilão da temporada (fora da casa, o rapaz é investigado após denúncias de estupro e tentativa de estupro).

Alvo de preconceito racial assim como Thelminha (que chegou a ser chamada de “negra coitada” e “mucama” por racistas nas redes sociais), o ator Babu Santana também teve, sim, atitudes condenáveis – homofóbicas por exemplo. Seus ensinamentos sobre representatividade e a importância da autoafirmação do negro (aprendemos com ele, por sinal, que o mais adequado é dizer preto), no entanto, o conduziram à reta final e a um honroso quarto lugar. Apesar da proximidade com Prior, mostrou ser “o macho mais sensato” da casa e deu aulas sobre questões de raça e cor que não se aprende com muitos professores e livros de História. Babu chegou a dizer que só aceitaria perder o jogo se fosse para Thelma. E está aí o resultado.

A médica não se vitimizou, resistiu e se posicionou – e por suas posições e condutas foi julgada e condenada moralmente (por quem nunca se posicionou ou foi julgado sobre nada diga-se de passagem). Um dos momentos mais marcantes foi ter que escolher entre Rafa e Babu para ir a um paredão. Apesar da afinidade com o ator desde o início do programa, protegeu a influencer (que a acolheu no momento em que ela mais sentiu ao ter sido deixada de lado), gerando revolta de parte dos telespectadores e discussões sobre gênero e raça. Mas Thelminha se mostrou coerente como sempre em suas escolhas.

E a torcida para a médica (importante frisar que ela é uma profissional da saúde num contexto de pandemia por conta do novo coronavírus, quando nos damos conta da relevância desses profissionais, sobretudo do SUS – Sistema Único de Saúde) só foi ganhando força, com a adesão de vários famosos: Daniela Mercury, Bruno Gagliasso, Taís Araújo, Regina Casé, Paulo Gustavo, Maju Coutinho, Ludmilla, Zélia Duncan, Preta Gil, Marina Ruy Barbosa e Iza entre outros. Até a estrela internacional Viola Davis aderiu pelo Twitter.

Thelminha: coroada em edição histórica, com recordes de audiência e empoderamento feminino em meio a questões raciais (Foto: Atila Britto)

Chamada de “planta” num dos jogos da discórdia, Thelminha provou que “planta” não só ganha “BBB” como samba na cara da sociedade (ela é passista no Carnaval paulistano). Finalmente, uma mulher de pele preta mudou o roteiro que estamos acostumados a ver na sociedade: as derrotas e a opressão deram lugar à vitória e ao empoderamento. Com R$ 1,5 milhão, a sister entra para a história da atração não apenas porque ficou milionária mas porque representa!

O jogo reflete a sociedade e seus momentos.

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