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Guti cita “boa vontade” sobre envio de mais água a Guarulhos pela Sabesp

O prefeito Guti (PSB) adotou um tom ameno ao comentar as razões da crise que há 16 anos começou a comprometer o fornecimento de água em Guarulhos. Perguntado pelo blog se a falta de diálogo com a Sabesp se devia ao fato de a Prefeitura ter sido comandada, até dezembro de 2016, pelo PT (e o Estado ser governado pelo PSDB), ele preferiu dizer que, ao assumir, passou a existir “boa vontade” para o diálogo. “Mas é uma vitória do povo de Guarulhos”, pontuou.

Na manhã desta terça-feira (10), o prefeito – acompanhado do vice Alexandre Zeitune (REDE), de deputados e vereadores da base aliada, além do superintendente do SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto), Francisco Carone – anunciou a redução do rodízio de água na cidade. O encontro ocorreu no anfiteatro do Paço Municipal.

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Segundo Carone, Guarulhos produz apenas 13% da água que distribui e não tem condições de ampliar esse limite. O restante é comprado da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo no atacado – a cidade não paga desde o ano 2000, resultando numa dívida atualizada de R$ 2,9 bilhões.

As possibilidades de parcelamento desse montante vêm sendo analisadas entre o SAAE e a Sabesp. Guti afirma que sua equipe já estuda o fluxo de caixa para que as contas, a partir deste ano, sejam pagas em dia. A Prefeitura também pretende pleitear uma redução na tarifa de água no atacado.

Para acabar de vez com o rodízio, Guarulhos precisaria chegar à marca ideal de 4,6 m³ de água enviados pela Sabesp. Atualmente, a cidade recebe 3,0 m³ e chegará a 3,7 m³ até a metade de fevereiro (desde o último dia 06, alguns bairros já começaram a receber mais água). Guti definiu que amenizar a falta de água seria prioridade em encontro com o governador Geraldo Alckmin (PSDB), logo após o segundo turno. 

Carone – que abriu negociações com o presidente da Sabesp, Jerson Kelman – explica que o adicional de 0,7 m³ de água (oriundos dos sistemas Cantareira e Alto Tietê) é o máximo que Guarulhos consegue suportar. A lição de casa não foi feita e as redes de distribuição da cidade não receberam investimentos necessários (por hora, a Prefeitura não tem recursos para todos os reparos, que evitariam perdas no sistema, ou novas obras). 

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“Mesmo que a Sabesp disponibilizasse agora toda a água que Guarulhos precisa, não teríamos capacidade de abastecer o município inteiro, pois nossa rede não foi expandida nos últimos 16 anos”, disse o superintendente, contrariando as justificativas do ex-prefeito Sebastião Almeida (PT). O planejamento para viabilizar os investimentos necessários já foi iniciado, de acordo com Carone (incluindo a “fiscalização austera” dos devedores do SAAE).

Por enquanto, bairros que ficavam 18 horas com água e 30 sem – sobretudo periféricos – passarão a ficar 16 horas com e 08 sem água, só para citar um exemplo (a promessa é que em 60% das residências tenha água todos os dias). Segundo Guti, havia duas opções: acabar de vez com o rodízio de água só nos bairros próximos ao Centro ou reduzi-lo e distribuir água na cidade toda. A segunda opção prevaleceu. “Todos os bairros ficarão com períodos menores sem água.”

A dívida de Guarulhos só não é menor que a de Santo André (R$ 3,4 bilhões), onde também já foi aberto diálogo com a Sabesp. Assim como Guarulhos e Santo André, Mauá – a terceira maior devedora da companhia na Grande São Paulo -, também era administrada pelo PT. Nenhuma chegava a um entendimento com o Estado sobre a falta de água e todas questionavam os valores devidos.

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