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Doria volta atrás e projeta flexibilização da quarentena no ABC e em demais cidades da Grande SP

Região Metropolitana foi dividida em cinco regiões que deverão apresentar planos sobre capacidade hospitalar e taxa de avanço do coronavírus para a retomada da economia 

O governador João Doria (PSDB) recuou e decidiu anunciar nesta sexta-feira (29) que a Região Metropolitana da Capital será dividida em cinco regiões no âmbito do Plano São Paulo, que prevê a retomada controlada das atividades econômicas no Estado a partir desta segunda, 1º de junho. Nas sete cidades do Grande ABC a expectativa é que a flexibilização passe a valer a partir de quarta (03).

Para a classificação das regiões foram levadas em conta características demográficas e critérios técnicos de saúde. “A Grande São Paulo abriga mais de 22 milhões de habitantes e conta com uma organização com distribuição de leitos e internação própria. A subdivisão permitirá uma avaliação individualizada da capacidade hospitalar para atendimento a pacientes com a Covid-19 e da taxa de avanço de casos e mortes provocadas pelo coronavírus em cada área”, informou o governador.

Pressões políticas

A decisão foi tomada após manifestações contrárias ao modelo de retomada econômica anunciado por Doria na quarta-feira (27) e que permitia apenas na cidade de São Paulo a reabertura de shopping centers e imobiliárias (fase 2 – Laranja). Prefeitos da Região Metropolitana questionaram os critérios adotados na classificação dos municípios quanto à reabertura das atividades econômicas, incluindo os impactos no transporte público que serão gerados entre a Capital e os municípios vizinhos.

Alguns prefeitos chegaram a se dirigir ao Palácio dos Bandeirantes, tanto na quarta quanto na quinta (28), para pressionar pela flexibilização, entre eles Rogério Lins (Podemos), de Osasco; Marcos Neves (PSDB), de Carapicuíba; Igor Soares (Podemos), de Itapevi; Rogério Franco (PSD), de Cotia; Danilo Joan (PSD), de Cajamar; Paulo Barufi (PTB), de Jandira; e Elvis Cezar (PSDB), de Santana do Parnaíba. Eles apresentaram a revindicação ao secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi.

Pelo Grande ABC, os prefeitos de Diadema, Mauá e Rio Grande da Serra – Lauro Michels (PV), Atila Jacomussi (PSB) e Gabriel Maranhão (Cidadania) respectivamente – foram à sede do governo paulista para reunião com o secretário estadual, nesta quinta (28). Os prefeitos do PSDB na região – Paulo Serra, de Santo André, Orlando Morando, de São Bernardo, José Auricchio Júnior, de São Caetano, e Kiko Teixeira, de Ribeirão Pires – participaram de forma virtual.

Os 38 municípios vizinhos da Capital seguirão na fase 1-Vermelha e análises regionalizadas realizadas semanalmente indicarão possível reclassificação para as fases que permitem abertura controlada de atividades não essenciais. Osasco projeta autorizar a reabertura na cidade entre quarta (03) e quinta (04). Já o prefeito Igor Soares anunciou que o Programa Reabre Itapevi será apresentado na quinta-feira.

ABC

O Consórcio Intermunicipal Grande ABC vai apresentar dados ao Governo do Estado para o plano que estabelece as fases para a reabertura das atividades econômicas. Neste sábado (30), prefeitos da região vão se reunir com representantes da Secretaria Estadual da Saúde com informações mais atualizadas sobre a evolução da pandemia nas sete cidades, que serão analisadas na terça-feira (02).

“Nosso objetivo é que a região tenha tratamento idêntico ao da Capital no plano de enfrentamento da pandemia do novo coronavírus”, afirmou afirmou o presidente do Consórcio ABC e prefeito de Rio Grande da Serra, Gabriel Maranhão. “As prefeituras já têm em andamento a formalização de planos para uma reabertura gradual e cuidadosa”, completou.

Nesta quinta-feira (28), um dia após o anúncio do Plano São Paulo pelo governador Doria, o Consórcio ABC protocolou proposta de reconsideração das regras de flexibilização da quarentena nas sete cidades. Tudo indica que o afrouxamento entre em vigor na quarta (03).

Diálogo

O secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, informou que participa de reuniões para dialogar com os prefeitos, mas ainda não há previsão de migração dos municípios da Grande São Paulo para novas fases do plano apesar das projeções.

“Dialogamos com cada um dos prefeitos, explicando a necessidade do aumento da capacidade hospitalar dessas regiões. É esse o índice que a Região Metropolitana deve melhorar para avançar para a próxima fase. Fica muito claro que o trabalho em conjunto de aumento de leitos é fundamental para que a gente possa, com segurança, fazer essa retomada consciente”, destacou Vinholi.

Como fica

As cidades da Região Metropolitana ficam divididas nas seguintes regiões:

  • Norte – Caieiras, Cajamar, Francisco Morato, Franco da Rocha e Mairiporã;
  • Sudeste/ABC – Diadema, Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul;
  • Leste/Alto Tietê – Arujá, Biritiba-Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis, Santa Isabel e Suzano;
  • Sudoeste – Cotia, Embu, Embu-Guaçu, Itapecerica da Serra, Juquitiba, São Lourenço da Serra, Taboão da Serra e Vargem Grande Paulista;
  • Oeste – Barueri, Carapicuíba, Itapevi, Jandira, Osasco, Pirapora do Bom Jesus e Santana de Parnaíba.

Plano São Paulo

As fases e o enquadramento das regiões administrativas em todo o Estado:

  • Fase 1/Vermelha – Liberação apenas de serviços considerados essenciais;
  • Fase 2/Laranja – Shopping centers (com proibição de abertura das praças de alimentação), comércio de rua e serviços em geral – atividades imobiliárias, concessionárias de veículos e escritórios, por exemplo – podem funcionar com capacidade limitada a 20%, horário reduzido para quatro horas seguidas e adoção dos protocolos padrão e setoriais específicos. Fica proibida a abertura de bares e restaurantes para consumo local, salões de beleza e barbearias, academias de esportes em todas as modalidades e outras atividades que gerem aglomeração;
  • Fase 3/Amarela – Maior liberação de atividades. Shoppings (com proibição de abertura das praças de alimentação), comércio de rua e serviços em geral podem funcionar com capacidade a limitada 40%, horário reduzido para seis horas seguidas e adoção dos protocolos padrão e setoriais específicos. Adiciona-se à lista salões e barbearias, além de bares e restaurantes com restrições (estarão liberados apenas para atendimento ao ar livre). Academias e eventos que gerem aglomeração continuam com abertura suspensa;
  • Fase 4/Verde – Fica liberado o funcionamento de todos os estabelecimentos comerciais e de serviços, incluindo academias e praças de alimentação dos shoppings, desde que com capacidade limitada a 60% e adoção dos protocolos padrão e setoriais específicos. Bares e restaurantes seguem abertos com restrições. Ficam proibidos eventos que gerem aglomeração;
  • Fase 5/Azul – Momento de controle da pandemia e liberação de todas as atividades com protocolos dentro do chamado “novo normal”.

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