ABC - Economia -

Taxa de desemprego no ABC registra maior alta desde 2004

A taxa de desemprego anual no ABC aumentou de 12,5%, em 2015, para 16,3% no ano passado. O leve recuo no mês de dezembro – 15,5% em relação aos 16% registrados em novembro – não foi suficiente para impedir a alta acumulada. Para completar, houve redução nos rendimentos médios reais de ocupados e assalariados.

Os resultados foram apresentados pelo Consórcio Intermunicipal Grande ABC e integram a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), realizada pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) e pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). A taxa de desemprego anual nas sete cidades da região é a mais alta desde 2004, quando atingiu 18,3%.

O economista do Dieese, Cesar Andaku, frisou que o percentual de desempregados no ABC cresceu pelo terceiro ano seguido, refletindo a persistência da crise econômica. “Na segunda metade de 2016, notamos que a taxa diminuiu, mas esse recuo não foi suficiente para compensar a piora no primeiro semestre, principalmente devido ao fechamento de postos de trabalho”, afirmou.

Em 2016, o total de desempregados nas sete cidades foi estimado em 230 mil pessoas, o de ocupados, em 1,178 milhão e a População Economicamente Ativa (PEA), em 1,408 milhão. O nível de ocupação no ABC recuou 3,8% e o contingente de desempregados aumentou em 55 mil pessoas, resultado da eliminação de 46 mil postos de trabalho e da ligeira alta de 0,6% da PEA, com 9 mil pessoas passando a integrar a força de trabalho da região.

Segundo a análise setorial, a retração do nível de ocupação ocorreu devido a reduções em todos os setores de atividade. O destaque negativo ficou para a Indústria de Transformação, com eliminação de 25 mil postos de trabalho (recuo de 8,8%), especialmente para o segmento de metal-mecânica, que recuou 13,1%, com perda de 20 mil vagas. Os rendimentos médios reais de ocupados caíram 8,0%, para R$ 2.133, e os dos assalariados retraíram 7,3%, para R$ 2.220.

Para 2017, a expectativa para o mercado de trabalho ainda não é positiva, afirmou o economista do Dieese. “Nossa projeção é que o PIB (Produto Interno Bruto) fique próximo da estabilidade em 2017. Por outro lado, notícias como a queda da taxa de inflação e a liberação de saques de contas inativas do FGTS, se confirmadas, podem ter um efeito efetivo nas vendas do comércio e na redução do endividamento das famílias”, afirmou Andaku.

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