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Santo André busca apoio da iniciativa privada para viabilizar nova estação de trem

O projeto de construção de uma nova estação de trem, em Santo André, passa indiscutivelmente pela iniciativa privada. Após firmar convênio com a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), a Prefeitura deve publicar, nos próximos dias, edital de Manifestação de Interesse Privado (MIP) para que empresas dispostas a viabilizar o plano executivo se apresentem.

Entre os potenciais parceiros, estão as empresas vizinhas da futura estação – cuja área, ao que tudo indica, será próxima de onde antigamente funcionava a Estação Pirelli, desativada em 2006, na Vila Homero Thon – entre as paradas Capuava e Prefeito Celso Daniel/Santo André, da linha 10-Turquesa. O Shopping Atrium é apontado como o principal interessado na movimentação de passageiros, mas o entorno conta ainda com hipermercados como Carrefour, Roldão e Assaí, além de rede hoteleira e salas comerciais. Uma Leroy Merlin está em construção.

A estimativa é de que a nova estação leve de 30 a 40 mil pessoas por dia para aquela região da cidade. “O projeto já estava formatado e aguardávamos um retorno da CPTM para apresentá-lo aos parceiros e tirá-lo do papel”, conta o prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB).

Depois de diversas reuniões técnicas entre Prefeitura, Secretaria Estadual de Transportes Metropolitanos e equipes de projetos da CPTM, ficou acordada a cooperação mútua para viabilizar a construção. O objetivo é uma PPP (Parceria Público Privada), com a divisão dos custos entre as esferas estadual, municipal e empresários interessados, mas o Estado ainda não garantiu os recursos. “Estamos tentando viabilizar esta obra sem dinheiro público”, diz o prefeito.

Embora a iniciativa privada seja convidada a elaborar o plano, a supervisão ficará a cargo de CPTM e Prefeitura. O que já se pode adiantar é que será um projeto enxuto. A estação original era considerada muito grande, cara e custosa pelos agentes públicos envolvidos.

Trem da CPTM passa pelo local da antiga parada Pirelli, em Santo André

“Mais um importante avanço para a mobilidade urbana de Santo André. Agora, com o aval da CPTM, poderemos desenvolver o melhor esse projeto, uma estação que reorganizaria o fluxo das linhas municipais, desafogando especialmente o Centro da cidade”, afirma o prefeito.

O Blog do Baena enviou algumas questões por e-mail ao novo presidente da CPTM, Pedro Tegon Moro, que foi nomeado no início do mês pelo governador João Doria (PSDB), prometendo transparência em sua gestão. Entre os questionamentos, uma nova previsão de custos (a estimativa inicial era de R$ 30 milhões, mas a crise econômica chegou a afugentar alguns empresários num primeiro momento) e de início das obras da nova estação e o quão decisivo será o papel da iniciativa privada para a efetivação do projeto, após a assinatura do convênio entre CPTM e Prefeitura de Santo André. Também, sobre a substituição dos trens e a modernização das estações da Linha 10 – Turquesa, inclusive com acessibilidade.

Atualização – A CPTM informou, por meio de nota, em 31/01, que o custo e o desenvolvimento dos projetos serão de responsabilidade do município e que a companhia participará fornecendo suporte técnico (informações, estudos e documentações). Também que a nova estação deverá seguir o padrão das demais implantadas recentemente, terá interligação com outros modais de transporte e todos os itens de acessibilidade para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Ainda segundo a empresa, o convênio assinado neste mês com a Prefeitura de Santo André , com prazo inicial de 1 ano, prevê que a obra da nova estação, ainda sem nome definido, utilize equipamentos, produtos e serviços que reduzam o consumo de energia e de recursos naturais, que sejam avaliados os impactos nos moradores da região e protegidos os patrimônios cultural e arqueológico. A assessoria de imprensa da CPTM não se pronunciou sobre o pedido de entrevista do presidente ao Blog do Baena nem sobre novos trens e reforma das demais estações que da região do ABC.

Estações e trens antigos

A CPTM iniciou pelas linhas 8, 11 e 7 a operação de novos trens. Embora atenda uma região tão importante e populosa como o Grande ABC, a Linha 10 – Turquesa tem ficado em segundo plano nos últimos anos. Recentemente, composições antigas começaram a ser substituídas, porém, dando lugar a modelos “aposentados” (ainda que mais novos) de outros ramais da ferrovia.

“Essa é a única linha com uma frota antiga, ainda que com ar-condicionado. Estamos tentando com o governo uma forma de renovar os trens dessa linha. Não é um processo rápido. Um trem demora, depois de todo processo licitatório, cerca de 18 meses para ser entregue, mas a intenção é renovar essa frota também”, reconheceu o novo presidente da CPTM, na semana passada, na sede da Companhia, ao ser apresentado a jornalistas de blogs especializados em transportes e que cobrem o dia a dia da empresa.

Não é difícil ver o estado de abandono das estações da Linha 10, casos de Ipiranga e Mooca, em São Paulo, Utinga, Prefeito Saladino e Capuava, no ABC, algumas tombadas (e que, por essa razão, precisam ter seus projetos arquitetônicos preservados). Mesmo as maiores – Prefeito Walter Braido/São Caetano, Prefeito Celso Daniel/Santo André e Mauá – não têm acessibilidade e são constantes locais de alagamentos em época de fortes chuvas.

“O foco principal nas estações da CPTM é atender aos requisitos de acessibilidade. Estamos assinando contratos agora em janeiro para adequar as estações que faltam. Nosso objetivo é que todas as estações da CPTM sejam acessíveis no menor tempo possível. Assim que isso se concretizar, vamos iniciar um plano de melhorias das estações, mas não há nenhuma obra de modernização no horizonte mais curto”, admitiu Moro durante a coletiva.

Estação Prefeito Celso Daniel/Santo André: reformas ainda sem previsão (Foto: Rodrigo Lopes/Wikimedia)

A concessão das estações é apontada pelo novo governo estadual como uma das soluções para o problema. “Vamos estudar qual o modelo mais viável. Se a concessão de uma estação pode estar vinculada à responsabilidade de modernização de outras, que exploração será possível e outras alternativas que serão objeto de estudo. A inserção da estação na região será mais amigável para sua utilização. Elas são polos de integração e sua inserção é tão importante quanto a modernização”, argumentou o executivo.

Vale lembrar que, nos últimos tempos, a companhia optou por reconstruir muitas estações, a exemplo de Franco da Rocha e Engenheiro Goulart, adotando projetos imponentes, em contraponto com as paradas precárias, sobretudo na Linha 10-Turquesa. A adequação pode ser um caminho mais apropriado a partir de agora.

(Com informações do site Metrô CPTM)

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