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GM abre negociações com sindicatos, governos e fornecedores após ameaçar deixar o Brasil

A General Motors descartou deixar o Brasil, durante reunião com representantes de sindicatos e governos, nesta terça-feira (22), na unidade da montadora em São José dos Campos, no interior paulista. O futuro das fábricas por aqui, incluindo a de São Caetano do Sul, no ABC, foi discutido após a presidente mundial da empresa, Mary Barra, ameaçar deixar o País, em comunicado replicado pelo presidente da GM Mercosul, Carlos Zarlenga.

Durante o encontro, diretores da GM reiteraram que a empresa vai dar andamento ao seu plano de reestruturação – que deve fechar em 2019 cinco fábricas nos Estados Unidos e Canadá (em novembro passado, chegou a ser anunciado o fechamento de mais duas fábricas fora da América do Norte, sem revelar os locais). Os executivos sinalizaram, no entanto, que a montadora quer discutir investimentos nas duas unidades da GM no estado de São Paulo – as fábricas reúnem cerca de 14 mil funcionários.

As informações foram passadas por membros do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos. Também participaram da reunião, ocorrida das 08h às 11h, os prefeitos de São José, Felício Ramuth, e de São Caetano, José Auricchio Júnior, ambos do PSDB. Numa segunda etapa, no período da tarde, foram discutidos itens específicos da fábrica do Vale do Paraíba, além de reivindicações patronais que serão apresentadas aos trabalhadores em assembleias.

Nesta quarta (23), um encontro está agendado com os sindicalistas de São Caetano para debater propostas específicas para a unidade do ABC, onde estão as linhas de produção do Spin, Cobalt e Montana e da versão mais barata do Onix, a Joy. Ao deixar o encontro, o prefeito Auricchio gravou um vídeo no qual disse que o investimento de R1,2 bilhão para a cidade, anunciado no ano passado e que inclui a fabricação da nova Tracker, está mantido. Porém, será necessário também o envolvimento de fornecedores e dos governos estadual e federal para discutir incentivos que possibilitem a continuidade dos investimentos.

Blefe

Especialistas ouvidos pela revista Quatro Rodas, dedicada ao mercado automotivo, apontaram a necessidade de a empresa rever suas estratégias de gestão e negócios e classificaram como “blefe” a ameaça da GM de deixar a América do Sul (também a Argentina). Para os entrevistados seria uma forma de forçar margens e comissões mais enxutas por parte das concessionárias, que distribuidores reduzam preços e governos acenem com incentivos e reduções tributárias.

No caso dos trabalhadores, a pressão ocorreria no sentido de flexibilizar cargas de trabalho e direitos (colaboradores da fábrica de São Caetano ouvidos pelo Blog do Baena, com a condição do anonimato, manifestaram temor de novas demissões). “Ainda não temos como nos manifestar concretamente, mas entre os trabalhadores o sentimento geral é de uma justificativa para tirar direitos”, chegou a comentar Aparecido Inácio da Silva, o Cidão, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano.

“Estamos flexíveis à negociação, mas mas não vamos aceitar que uma crise, que nem existe, seja descarregada no ombro do trabalhador. É bom lembrar que a GM é líder de vendas no País”, disse o presidente do sindicato em São José, Renato Almeida, nesta terça. A montadora detém uma fatia de 17,8% do mercado nacional.

A GM foi procurada e informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não iria comentar a reunião. Nenhum porta voz deu entrevista após o encontro desta terça.

(Com informações do G1)

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