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Ribeirão dos Meninos, em São Caetano, tem uma das piores qualidades da água do Brasil

Neste 22 de março, Dia Mundial da Água, a Fundação SOS Mata Atlântica chama atenção para a degradação de alguns dos principais rios do Brasil. De acordo com o relatório “O Retrato da Qualidade da Água nas Bacias da Mata Atlântica”, do projeto “Observando os Rios”, nenhum rio, córrego ou represa de São Paulo tem qualidade da água ótima e os piores pontos do Estado estão na Região Metropolitana, sendo um deles em São Caetano do Sul, no Grande ABC.

Em todo o País, foi coletada água de 278 pontos monitorados, entre março de 2018 e fevereiro deste ano. Em 207 deles (74,5%) a qualidade é regular. Já 49 pontos (17,6%) apresentam qualidade da água ruim e quatro pontos (1,4%) péssima. Somente 18 pontos (6,5%) apresentam qualidade boa na média do período de monitoramento.

Os quatro pontos que apresentaram qualidade da água péssima estão em São Paulo – onde 108 pontos em 88 cursos d’água foram analisados (no levantamento de 2018, nenhum ponto havia apresentado índice péssimo). São eles: o riacho Água Podre e os córregos Tijuco Preto e Três Pontes, nas zonas Oeste e Leste da Capital, respectivamente, e o Ribeirão dos Meninos, na Bacia do Alto Tamanduateí, em São Caetano.

Rejeitos contaminados da Vale

Entre os principais alertas feitos pela organização, está ainda o fato de que o rio São Francisco já encontra-se contaminado com rejeitos da barragem Córrego do Feijão, da Vale, rompida no dia 25 de janeiro, em Brumadinho (MG). Entre os dias 08 e 14 de março, a equipe da SOS Mata Atlântica revisitou a região até o Alto São Francisco para verificar a presença de rejeitos, visando dar algumas respostas à sociedade.

Dos 12 pontos analisados pela organização, nove estavam com condição ruim e três regular, o que torna o trecho a  partir do Reservatório de Retiro Baixo, entre os municípios de Felixlândia e Pompéu até o Reservatório de Três Marias, no Alto São Francisco, com água imprópria para uso da população. Em alguns locais, as concentrações de ferro, manganês, cromo e cobre estavam acima dos limites máximos permitidos na legislação, o que evidencia o impacto da pluma de rejeitos de minério sobre o Alto São Francisco.

Os dados comprovam que o Reservatório de Retiro Baixo está segurando o maior volume dos rejeitos de minério que vem sendo conduzidos pelo Paraopeba. Apesar das medidas tomadas no sentido de evitar que os rejeitos atinjam o rio São Francisco, os contaminantes mais finos estão ultrapassando o reservatório e descendo o rio e já são percebidos nas análises em padrões  elevados.

Opiniões de especialistas

Segundo especialistas, os índices de qualidade das águas do País reforçam que, um a um, nossos rios vão perdendo lentamente sua capacidade de abrigar vida aquática, de abastecer a população e de promover saúde e lazer para a sociedade. Confira o que eles dizem sobre o fato de o Brasil agredir a cada dia um pouco mais seus rios, córregos e represas:

“Os rios brasileiros estão por um triz. Seja por agressões geradas por grandes desastres ou por conta do mau uso da água no dia a dia, decorrentes da falta de saneamento, da ocupação desordenada do solo nas cidades, por falta de florestas e matas ciliares que protegem os rios e nascentes e por uso indiscriminado de fertilizantes químicos e agrotóxicos. Nossos rios estão sendo condenados pela falta de boa governança.” Malu Ribeiro, assessora e especialista em água da Fundação SOS Mata Atlântica

“Estamos percebendo que alguns rios já nascem com problemas. É como se a nossa vida começasse doente. Existem rios que possuem nascentes cristalinas, mas não é isso que nossa sociedade enxerga em seu dia-a-dia.”, Gustavo Veronesi, coordenador técnico do projeto “Observando os Rios”, da Fundação SOS Mata Atlântica

“Precisamos mudar a relação negativa e de distanciamento da sociedade com os rios. Nossos voluntários são exemplo de pessoas que estabeleceram nova conexão com o corpo d’água de sua região.” Romilda Roncatti, coordenadora do projeto “Observando os Rios”

“Rios e águas contaminadas são reflexo da ausência de instrumentos eficazes de planejamento, gestão e governança. Refletem a falta de saneamento ambiental, a ineficiência ou falência do modelo adotado, o desrespeito aos direitos humanos e o subdesenvolvimento.” Cesar Pegoraro, biólogo e educador ambiental da Fundação SOS Mata Atlântica

“Para melhorar o índice de qualidade boa, é fundamental que a Política Nacional de Recursos Hídricos seja implementada em todo território nacional, de forma descentralizada e participativa, por meio dos comitês de bacias hidrográficas e com todos os seus instrumentos de gestão funcionando plenamente.” Marcelo Naufal, advogado e consultor jurídico da Fundação SOS Mata Atlântica.

O outro lado

Em nota, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) diz que trabalha para coletar e tratar todo o esgoto das cidades em que opera e que, junto com a Prefeitura da Capital, tem o programa “Córrego Limpo” para a despoluição e manutenção das áreas em volta. Também que os córregos Tijuco Preto, Três Pontes e Água Podre devem receber obras de infraestrutura – o serviço no Água Podre está previsto para este ano. Nos outros dois, é preciso remover moradias irregulares do entorno.

A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), por sua vez, afirma que monitora 461 rios e reservatórios de água doce e que usa uma ferramenta diferente da utilizada pela ONG SOS Mata Atlântica. Por fim, a Prefeitura de São Caetano informa que foi o primeiro município da Grande São Paulo a ter 100% de coleta e tratamento de esgoto, em 2009.

(Com informações do G1)

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