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Possível saída da GM do país preocupa funcionários, sindicatos e poder público

Diante da ameaça de deixar a América do Sul, onde mantém fábricas em operação no Brasil e na Argentina, a General Motors comunicou aos funcionários que colocará em prática um rigoroso plano de reestruturação na tentativa de reverter prejuízos acumulados entre 2016 e 2018. A notícia caiu como uma bomba entre os colaboradores, sindicatos e governos, inclusive o de São Caetano, no ABC, onde está uma das plantas da montadora.

Ao lado de Casas Bahia e de uma distribuidora da Petrobras, a GM é uma das principais fontes de arrecadação de impostos para São Caetano – só de ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) especula-se algo em torno de R$ 80 milhões por ano. Em fevereiro de 2018, a empresa anunciou R$ 1,2 bilhão de investimentos na fábrica do município para ampliar a capacidade produtiva de 250 mil para 330 mil unidades ao ano. O montante faz parte de um plano de R$ 13 bilhões que foram aplicados no Brasil nos últimos cinco anos.

Mas o comunicado enviado aos funcionários, nesta sexta (18), por e-mail e fixado em quadros de aviso das fábricas é categórico: neste ano, a empresa precisa voltar a dar lucro. Carlos Zarlenga, presidente da General Motors Mercosul, reproduziu matéria publicada na semana passada pelo jornal Detroit News. Segundo o texto, a presidente mundial da companhia, Mary Barra, deu o sinal: “Não vamos continuar investindo para perder dinheiro,” disse a executiva, ao divulgar o balanço financeiro de 2018 aos acionistas e classificar os mercados sul-americanos como “desafiadores” (a GM reduziu sua rentabilidade em 40% na América do Sul).

“2019 será um ano decisivo para nossa história”, alertou Zarlenga, completando que a empresa vive momento muito crítico e “que vai exigir importantes sacrifícios de todos”. O plano apresentado à matriz requer apoio do governo, concessionários, empregados, sindicatos e fornecedores. “Do sucesso desse plano dependem os investimentos da GM e o nosso futuro.”

No final do ano passado, o então presidente Michel Temer (MDB) sancionou  o novo programa de incentivos para montadoras no Brasil, batizado de Rota 2030. Na ocasião, ele vetou artigos que concediam isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para componentes, chassis, partes e peças e outras matérias primas da indústria automobilística que fossem importados por terceiros sob encomenda das fábricas.

Na fábrica do ABC, os cerca de 4,5 mil funcionários da área produtiva estão em férias coletivas desde 23 de dezembro e só retornam ao trabalho no próximo dia 28. São produzidos na unidade de São Caetano modelos como Cobalt, Spin e Montana e existe a expectativa de produção de veículos inéditos, além da nova geração do SUV Tracker, atualmente fabricado no México.

A assessoria da empresa não comenta o assunto, mas a presidente mundial ainda ressaltou algo que pode ser motivo de alento: que “com a Chevrolet como líder de mercado, a companhia está bem posicionada para melhorar no atual ambiente macroeconômico”. A GM é líder em vendas no mercado brasileiro há três anos e modelo Onix, fabricado em Gravataí (RS), é o carro mais vendido no país.

Movimentação

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano, Aparecido Inácio da Silva, o Cidão, foi convocado para uma reunião com a direção da GM na próxima semana. Já o prefeito José Auricchio Júnior (PSDB) tem um encontro agendado com executivos da empresa em São José dos Campos, local da outra planta no estado de São Paulo. Os agentes políticos municipais têm se mostrado apreensivos com os rumores da saída da operação no Brasil. Funcionários temem perder o emprego.

“Achei um absurdo de início, pois o bom momento, a liderança de vendas e o anúncio de investimentos não justificariam a GM sair do Brasil, mas logo em seguida veio a apreensão. Ainda que não saia, com certeza, podemos esperar nova onda de demissões e sacrifício para os que ficarem”, disse uma fonte do Blog do Baena de dentro da montadora. “Nem sei se fico tão surpreso assim diante de todas as medidas de ‘aperto nos cintos’ que já vinham sendo tomadas. Só ficou mais preocupante. Espero que a situação seja revertida”, torce outro funcionário de São Caetano, que prefere não se identificar.

“Já criamos uma nova tabela com salários mais baixos para iniciantes, flexibilizamos as regras para funcionários com doença profissional e aceitamos redução do adicional noturno. O que mais querem de nós?”, questiona Cidão.

Confira trechos do texto divulgado:

A GM no Brasil teve um prejuízo agregado significativo no período de 2016 a 2018, que NÃO PODE SE REPETIR. 2019 será um ano decisivo para nossa história. O Comitê Executivo do Mercosul está fortemente comprometido para reverter esta situação de forma imediata e definitiva. Vivemos um momento crítico que vai exigir importantes sacrifícios de TODOS. O Comitê Executivo do Mercosul desenvolveu um plano de viabilidade que foi apresentado para nossa liderança global em Detroit. Esse plano requer apoio do governo, concessionários, empregados, sindicatos e fornecedores. Do sucesso deste plano dependem os investimentos da GM e o nosso futuro.

(Com informações de portal Terra e revista Exame)

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