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Manente vota contra Temer e lamenta que processo não prossiga

Representante do Grande ABC na Câmara, em Brasília, o deputado federal Alex Manente (PPS) votou, nesta quarta-feira (02), pelo prosseguimento da investigação contra Michel Temer (PMDB) no STF (Supremo Tribunal Federal). Mas isso não foi suficiente e o presidente conseguiu se livrar da denúncia de corrupção passiva – ele e seu ex-assessor Rodrigo da Rocha Loures (PMDB-PR) foram acusados pela PGR (Procuradoria Geral da República).

Manente lamentou o resultado e disse que o Congresso se acovardou. “Isso mostra que parte da população que reclama da situação política do nosso país tem toda a razão. Cumpri o meu papel, sem partidarizar”, declarou o deputado, que foi defensor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Nos últimos dias, Manente evitou dar declarações sobre como votaria no caso de Temer, embora o PPS tenha se colocado a favor da suspensão do presidente para abertura de processo de investigação. O blog havia adiantado que o deputado temia que a instabilidade se acentuasse, mas depois de se posicionar em plenário adotou o discurso de que a base econômica seria a mesma apesar da troca de comando político do país – a impopularidade recorde de Temer também pesou na decisão.

Manente interrompeu no terceiro dia sua licença paternidade – de cinco dias (seu filho, Lorenzo, nasceu no domingo, dia 30) – para ir à Brasília dar seu voto contra Temer. “É preciso escrever um novo momento, lutando contra o foro privilegiado e os desmandos na máquina pública”, pregou em vídeo numa rede social.

Outro deputado federal com base no ABC, Vicentinho (PT), também disse “não” ao parecer do relator na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), o deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), em defesa do arquivamento da denúncia. Como o que estava sendo analisado era o relatório, quem quisesse que Temer fosse investigado tinha, portanto, que votar “não”.

Entenda

A sessão que decidiria o futuro de Temer começou pouco depois das 09h, durou mais de 12 horas e foi extremamente tumultuada. Com a rejeição pela Câmara, a acusação de corrupção contra o presidente só poderá ser analisada agora pela Justiça comum quando ele deixar o cargo. Para que se autorizasse o prosseguimento da denúncia para o STF, eram necessários ao menos 342 votos, apoio que a oposição não conseguiu reunir (foram 227 no final).

A base aliada garantiu 263 votos para impedir o prosseguimento da investigação (172 eram necessários). O voto que sacramentou o resultado foi do deputado Aureo Lidio Moreira Ribeiro (SD-RJ), às 20h26.

(com informações do UOL)

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