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Empresário de São Caetano transforma Sterna Café em uma das redes de franquia mais promissoras do país

Imagine perder um emprego, utilizar o valor da rescisão contratual e o dinheiro da venda de um carro para investir no próprio negócio e, em apenas dois anos, se tornar dono de uma rede de cafeterias que fechou 2016 com faturamento de R$ 4 milhões, 15 unidades e um agressivo plano de expansão. Essa é a realidade de Deiverson Miglitatti (foto), que fez do Sterna Café uma das marcas mais atrativas e promissoras do ramo de franquias no país.

Apesar do cenário de crise, que tem desanimado empresários, cancelado investimentos ou mesmo interrompido projetos, a rede Sterna Café vai na contramão: apresentou crescimento financeiro de 16% no segundo trimestre de 2017, comparado ao mesmo período do ano anterior. É mais que o dobro da média nacional do setor. Segundo dados da ABF (Associação Brasileira de Franchising), as franquias no Brasil cresceram 6,8% no comparativo (abril, maio e junho – 2017/2016).

O empresário estabeleceu no início deste ano uma meta para a marca: chegar em dezembro com 20 unidades em funcionamento. Pelos números de 2017, é provável ainda que o faturamento dobre. Até o momento, 04 toneladas de café foram consumidas na rede (em 2016 foram 02 toneladas) e o faturamento já ultrapassou R$ 6 milhões. “Na crise, aparecem as oportunidades. Tem gente que perdeu o emprego em multinacionais, por exemplo, usando parte do dinheiro da rescisão para investir em algo próprio”, aponta.

Até o momento, são 11 lojas abertas, quatro em construção – a do recém-inaugurado Hospital e Maternidade São Luiz, em São Caetano (que será a segunda no local e a terceira na cidade); a da esquina das ruas Fradique Coutinho e Arthur de Azevedo, no bairro paulistano de Pinheiros; a da Alameda Santos e a da avenida Indianópolis, também em São Paulo. As outras cinco previstas já foram negociadas – e São Bernardo, na região do ABC, está no radar para um futuro próximo (São Caetano conta ainda com uma unidade num posto de combustíveis na avenida Presidente Kennedy e Santo André tem um ponto na rua das Figueiras).

Deiverson adotou um modelo de negócio que diferencia a empresa no mercado, garantindo uma lucratividade maior e um retorno mais rápido do investimento aos franqueados. A estratégia é instalar unidades dentro de bancos, edifícios comerciais, hospitais e escritórios de coworking (espaços compartilhados por profissionais e startups). Já está em prédios de grande porte como Nubank, CGD Corporate Towers, Vista Verde e Wilson Mendes Caldeira, todos em São Paulo.

 

Loja em prédio corporativo na avenida Francisco Matarazzo, na Barra Funda, em São Paulo

“Ao contrário de um shopping, esses pontos estratégicos não vivem de aluguel. Hospital não vive de aluguel, banco não vive de aluguel, o business deles é outro. São ambientes que precisam de um cardápio completo e temos cafés especiais, bebidas geladas, refeições, saladas e salgados para eventos corporativos. Algo que atende 100% esses locais. Oferecemos o benefício que buscam, com excelência. Criamos um conceito com várias soluções, um nicho de mercado e nos tornamos únicos”, diz o franqueador da marca, protagonista de mais uma daquelas histórias inspiradoras de sucesso no mundo do empreendedorismo.

O início de tudo

Nascido em São Caetano do Sul, onde ainda mora com a família (só trocou a casa dos pais pelo apartamento onde vive com a mulher e um filho de 03 anos), o empresário, de 33 anos, estudou em escola pública do ensino fundamental ao ensino médio e concluiu a universidade com auxílio do FIES (Fundo de Financiamento Estudantil), do Ministério da Educação. Teoricamente, não teria chegado onde chegou se não tivesse uma boa dose de coragem e ousadia – além de foco, planejamento e determinação.

“Passei pelas escolas Joana Motta, Alcina Dantas Feijão e Jorge Street (ETEC), em São Caetano. Quando chegou a época da faculdade, não tinha dinheiro e recorri ao FIES. Fui para São Bernardo estudar e apareceu uma oportunidade de estágio na Casas Bahia”, lembra Deiverson, formado em Desenho Industrial pela Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo).

O período na rede varejista, onde ficou sete anos, foi de crescimento. De aprendiz, acabou efetivado graças à familiaridade com um Macintosh (computador da Apple que era um luxo para ele, porém, a universidade lhe proporcionava o acesso à inovação). Foi durante a pós-graduação – em Comunicação com o Mercado -, na ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), que veio o insight para empreender. “Vi que muitos alunos da minha sala já eram empresários e eu ainda era empregado. No fundo, sempre tive vontade de ter meu próprio negócio, só não tinha oportunidade e dinheiro.”

De franqueado a franqueador

Após uma reestruturação na empresa, que resultou em sua demissão, Deiverson – à essa altura já munido de informações sobre linhas de crédito do governo – usou a verba rescisória e os recursos de um empréstimo para ingressar no universo das franquias. Surgia, então, seu primeiro quiosque de lanches, no Shopping Praça da Moça, em Diadema. O sucesso como franqueado garantiu, em seis meses, um convite para abrir a segunda unidade, no Shopping Anália Franco, na Capital. “De novo, peguei uma linha de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), vendi um carro e aí foi”. E foi mesmo!

A partir dessa empreitada, Deiverson abriu não só lojas da marca Subway (a primeira experiência), mas do Bon Grillê, Morana Acessórios, KFC e Umami Temaki. Ou seja, tomou gosto pela coisa. Também pelas viagens, e pelo café.

Em 2015, na Coréia do Sul, sentiu que era a hora de apostar em algo com identidade e conceito próprios. Oito meses depois de desenhar a ideia (desenhar mesmo, num guardanapo de papel), surgia o Sterna Café. As primeiras lojas foram a do corporativo Cubo (centro de empreendedorismo do banco Itaú, na Vila Olímpia, em São Paulo) e a do Hospital Infantil Sabará (no bairro paulistano de Santa Cecília).

Sterna faz referência à ave de mesmo nome, que é a espécie que mais viaja pelo mundo ao longo de sua vida (capaz de voar o equivalente a três idas e voltas da Terra à Lua). Bem sugestivo. Deiverson já viajou por mais de 60 países (comprou três tíquetes de volta ao mundo) e muitos dos roteiros foram pensados para satisfazer seu interesse em conhecer as variedades de grãos e os sabores da bebida que é uma das mais populares e apreciadas no mundo.

A Finlândia é hoje o maior mercado consumidor de café, com 12,7 kg por pessoa ao ano. Em seguida vem o Brasil (que é o maior produtor mundial), com 3,5 xícaras por dia em média.

Foco e variedade

Atualmente, o fundador do Sterna Café se dedica totalmente à expansão das franquias (a primeira unidade franqueada foi a do Espaço Boulevard Kennedy, em São Caetano, em junho de 2016). Deiverson só manteve sob seu controle a principal e maior loja da rede: a do Hospital Infantil Sabará.

Homologada pela ABF, a empresa é a única hoje a vender 100% de cafés especiais e a adotar métodos diferenciados de extração do grão, de acordo com seu fundador. “Estamos democratizando o café bom. Um café de R$ 60 reais o quilo, vendemos por R$ 4 ou R$ 4,50, dependendo de cada região.”

Para agradar os clientes, Deiverson aposta em grãos selecionados e exclusivos de fazendas de Minas Gerais. Por meio de um processo natural, mantém a acidez de frutas amarelas e a doçura do açúcar mascavo, proporcionando um sabor diferenciado e qualidade extrema à bebida.

Uma vez por mês, o fundador da marca traz um café de um país diferente para as lojas da rede

Entre os carros-chefes da loja estão o tradicional expresso, o ristretto, o machiatto, o cappuccino e um delicioso chocolate belga. No preparo da bebida, o Sterna Café utiliza métodos variados, como a french press e o HarioV60, que garantem sabores particulares. Uma vez por mês, a loja também oferece ao público cafés de origem internacional (blends exclusivos, como por exemplo os sul-africanos).

O segredo do negócio está no tripé investimento baixo, custo fixo reduzido e rentabilidade acima da média de mercado. “Tudo aliado a produtos de qualidade e exclusivos, é claro”, ressalta Deiverson. Com R$ 100 mil é possível montar um quiosque e com R$ 250 mil uma loja da marca. “Fala-se em 24 meses, em média, para o retorno do investimento em uma loja. Temos casos de sucesso na rede em apenas 12 meses e franqueados já com três unidades.”

Contatos com possíveis franqueados de fora de São Paulo, inclusive, estão em andamento. Em 2018, a ideia é expandir para lugares como Brasília, Salvador, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Outras cidades da Região Metropolitana e do Interior paulista também são mencionadas pelo empresário (como Valinhos, Piracicaba, Osasco, Guarulhos e Santana de Parnaíba). E a meta é ainda mais ousada para o próximo ano: chegar a 40 unidades, ou seja, dobrar a rede.

Expansão

Além de bebidas quentes e frias feitas com café, uma nova proposta começou a se materializar: a do Sterna Café Bistrô, para oferecer opções de refeição, incluindo massas, saladas, sanduíches e sobremesas. Esse, por sinal, será o conceito da nova unidade do Hospital e Maternidade São Luiz, em São Caetano, que ficará no 3º piso (a que já está em funcionamento fica no 1º andar).

Outra novidade está sendo desenvolvida para atender prédios com mais de 5 mil pessoas: o Sterna To Go. “É o Sterna de alto serviço, para quem tem pressa, não tem tempo para sentar, pois o horário é reduzido para tomar café ou almoçar. Então, a pessoa entra, pega o produto que precisa, paga e vai embora”, explica Deiverson. A primeira unidade será inaugurada em São Paulo, no prédio onde funciona o Ibope, na Barra Funda.

“Tudo começou num sonho. Entre planejar, colocar no papel e acontecer, fico muito feliz com o resultado: uma marca que vai completar dois anos agora em setembro, tem apenas um ano como rede de franquias e conta com o aval de grandes empresas, como BTG Pactual e São Luiz (Rede D’Or), que abriram espaço e aprovaram a gente”, avalia o jovem sul-caetanense, confirmando sua vocação de empreendedor nato. Movido a café, de qualidade e exclusivo, de preferência.

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