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Cidades do Grande ABC reforçam ações nos 30 anos de luta contra a Aids

O Dia Mundial de Luta Contra a Aids, comemorado em 1º de dezembro, está completando 30 anos. Para marcar esse período de histórias e conquistas na resposta global ao HIV, cidades do ABC deram início a uma série de ações visando ampliar os testes para diagnóstico, além de abrir espaço para debates sobre prevenção, tratamento, combate à doença e aos preconceitos.

A partir desta quarta-feira (05), o Centro Hospitalar Municipal de Santo André “Dr. Newton da Costa Brandão” promove a “Semana de Conscientização no CHMSA”. Destaque para o bate-papo, às 14h30, com o ator e produtor cultural Rafael Bolacha (foto), apresentador do canal “Chá dos 05”. Soropositivo, ele é autor do projeto “Uma Vida Positiva”, que inclui blog, livro e vídeos.

Na sequência, às 16h, a infectologista Elaine Matsuda, do ARMI (Ambulatório de Referência em Moléstias Infecciosas) e do Programa de Infecções Sexualmente Transmissíveis IST/Aids de Santo André, traça um perfil do HIV no município e aborda experiências exitosas. Entre elas, a estratégia – pioneira no SUS (Sistema Único de Saúde) – desenvolvida pela Prefeitura para o diagnóstico precoce do HIV em pacientes cujos resultados deram negativo em testes rápidos.

O objetivo é evitar que pessoas que estejam no período de 30 dias conhecido como janela imunológica – e já infectadas – passem a transmitir ainda mais o vírus por causa de um “falso negativo”. A médica retornou recentemente da Holanda, onde participou da Conferência Internacional sobre Aids e apresentou o trabalho “Infecção Aguda pelo HIV entre Pacientes Recém-Diagnosticados em Santo André”.

Abertas ao público

As duas palestras ocorrem no Anfiteatro do CHMSA (avenida João Ramalho, 326 – Vila Assunção) e são abertas não só aos funcionários do hospital e aos profissionais da rede de saúde andreense, mas também a estudantes e ao público em geral.  Já na quinta (06) e na sexta (07) serão realizados no local testes rápidos de HIV/Aids apenas para funcionários do Centro Hospitalar e da rede municipal de saúde.

Em Santo André, a população pode procurar, além das Unidades Básicas de Saúde (UBS’s), o CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento) para a coleta de sangue para exame laboratorial (sífilis, HIV e hepatites B e C), sem necessidade de encaminhamento. O endereço é rua das Silveiras, 73, na Vila Guiomar. O ARMI funciona no mesmo espaço.

Outros municípios

Diadema aderiu à campanha nacional de mobilização e incentivo ao teste de HIV “Fique Sabendo”. Para conscientizar a população sobre a importância da prevenção do HIV, a Secretaria Municipal de Saúde realizou testes para diagnóstico no último sábado (1º), Dia Mundial de Luta Contra a Aids, na UBS Maria Tereza, no Campanário. A ação tem continuidade até sexta-feira (07) nas 20 Unidades Básicas de Saúde da cidade.

Em Mauá também foram oferecidos serviços gratuitos para diagnóstico das IST’s durante o final de semana, em cinco locais. Nesta segunda-feira (03), todas as 23 UBS’s do município, além do Cema (Centro de Especialidades de Mauá) e dos Caps (Centros de Atenção Psicossocial), passaram a integrar a rede de atendimento.

Segundo a Vigilância Epidemiológica, vinculada à Secretaria de Saúde, Mauá registrou, em 2018, 20 casos de soropositivos (HIV); 179 diagnósticos de sífilis; 38 de hepatite C e 10 de hepatite B (dados apurados até 23 de novembro). No CRS (Centro de Referência em Saúde) – que fica na rua Benedito Meireles Freire, 193, na Vila Vitória – é oferecido tratamento, além da realização de diagnósticos. A expectativa é oferecer 3 mil atendimentos neste ano – número superior às demandas registradas na campanha de 2017, com 2 mil exames.

O “Dezembro Vermelho”, mês de prevenção, também prossegue com ações de conscientização em São Caetano. Até sexta-feira (07), das 09h às 16h, testes rápidos de HIV e sífilis podem ser realizados em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS’s) e no Centro de Testagem e Aconselhamento do Centro de Prevenção e Assistência às Doenças Infecciosas (CEPADI), localizado na avenida Dr. Rodrigues Alves, 93, no Bairro Fundação.

“A ação tem como objetivo conscientizar a população para a importância da prevenção, com orientações, aconselhamentos e a oferta dos testes rápidos”, explica Alexandre Yamaçake, coordenador da área técnica do Programa Municipal de Infecções Sexualmente Transmissíveis, Aids e Hepatites Virais. “A testagem é o caminho para o cuidado contínuo, diagnóstico, tratamento, retenção e supressão viral. O exame é rápido, seguro e o resultado é entregue em alguns minutos.”

Atualmente, 772 pessoas estão em tratamento de HIV na rede municipal de São Caetano. Outro dado preocupante é o aumento dos registros de sífilis, uma vez que a rede atendeu mais de 1.800 casos em 2018.

Em Ribeirão Pires, testes rápidos de HIV, sífilis e hepatites B e C estão disponíveis gratuitamente no Serviço de Atenção Especializada (SAE), na avenida Francisco Monteiro, 205, no Centro, das 07h às 18h. Unidades Básicas de Saúde também aderiram à campanha “Fique Sabendo” e seguem cronograma específico até sexta-feira (07).

Equipes da Saúde reforçam que kits de prevenção – com materiais informativos e preservativos – estão disponíveis durante todo o ano na rede municipal. De janeiro a setembro de 2018, a estância turística registrou 21 novos casos de Aids, sendo a maioria entre jovens. No ano, foram registrados seis óbitos pelo diagnóstico tardio da doença ou abandono do tratamento. O SAE atende atualmente 355 pacientes com HIV, sendo 80% deles moradores da cidade; 15% de Rio Grande da Serra; 15% de Mauá e de outros municípios da Grande São Paulo.

Aids no Brasil 

O tempo passou e hoje é possível viver com o HIV, mas a Aids ainda é uma realidade. Atualmente, 75% das pessoas vivem com o vírus e conhecem seu estado sorológico. A meta da ONU (Organização das Nações Unidas) é garantir que até 2020 esse número chegue a 90%; que pelo menos 90% dessas pessoas recebam tratamento; e, entre os que recebem tratamento, 90% se tornem indetectáveis – estado em que a pessoa não transmite o vírus e consegue manter qualidade de vida sem manifestar os sintomas da Aids. No Brasil, 92% das pessoas em tratamento já atingiram esse estado.

O SUS tem colocado à disposição da população estratégias e tecnologias avançadas para prevenir a infecção pelo vírus, como a Profilaxia Pré-Exposição (PREP) e a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), além de ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e ações específicas para populações-chave para resposta ao HIV, como pessoas trans, gays (homens que fazem sexo com homens), trabalhadores do sexo, população privada de liberdade e usuários de álcool e outras substâncias.

O negócio é não descuidar. Proteja-se!

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