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Protesto de Lauro Michels desagrada cúpula do PSDB

A manifestação do prefeito Lauro Michels (PV) diante de um dos terminais da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), em Diadema, não foi bem digerida por pessoas próximas ao governador Geraldo Alckmin e por membros da cúpula do PSDB. Detalhe: o partido é um dos principais aliados da base de Michels (com forte influência de lideranças regionais tucanas). Ele foi reeleito em outubro, no segundo turno.

O chefe do Executivo diademense chegou a criticar o Estado (entenda Alckmin) e até o prefeito de São Paulo, o tucano João Doria – taxado de demagogo -, deixando claro que o reajuste nas linhas intermunicipais (além da integração) seria consequência do congelamento das tarifas de ônibus na capital, de trens e metrô. Para alguns tucanos ouvidos pelo blog, Michels quis polemizar e evitar que a população o culpasse não só pelo aumento no valor das passagens das linhas que operam no Corredor ABD (de R$ 4,00 para R$ 4,30), mas pelo fim da gratuidade na baldeação nos terminais Diadema e Piraporinha. O corredor liga a região do ABC aos bairros São Mateus, Jabaquara e Brooklin, na capital.

Gente da EMTU alega que ele “quis fazer média”, pois sabia que  a cobrança de R$ 1,00 pela integração estava prevista e é uma das cláusulas contratuais com a concessionária Metra. O prefeito – que bloqueou o acesso ao terminal com seu próprio carro por quatro horas – jurou desconhecer o tema até a véspera de sua atitude e só encerrou o protesto quando recebeu a ligação de um representante do Estado.

Michels disse que do outro lado da linha estava o secretário-chefe da Casa Civil de São Paulo, Samuel Moreira, propondo uma reunião nesta sexta (06) para dialogarem sobre a manutenção da gratuidade nos terminais da EMTU. A Secretaria Estadual de Transportes Metropolitanos não confirmou o encontro. O prefeito ameaça rever as concessões dos terminais da cidade e deixá-los fechados caso não seja atendido.

Média ou não, e tensões políticas e partidárias à parte, falar em reajuste diante da situação que o país atravessa chega a soar mesmo como desaforo. Ainda que com a justificativa de repor a inflação. Sabemos que os salários de muitas categorias não aumentam para compensar a inflação, nem acompanham o reajuste do salário mínimo. Ultimamente, o que aumenta é o desemprego ou, nesse caso, as passagens – penalizando os trabalhadores que precisam ir do ABC à capital de transporte público e vice-versa.

Alckmin e Doria não comentaram as críticas.

Região Metropolitana

Em outros terminais da Grande São Paulo a integração também passará a ser cobrada. Já as passagens nas linhas de ônibus (e trólebus) metropolitanas terão aumentos que variam de 6,10% a 7,18%, dependendo da região atendida. Entre as cidades afetadas estão Santo André, São Bernardo, São Caetano, Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra (todas no ABC); Taboão da Serra; Cotia; Osasco; Barueri; Guarulhos; Mogi das Cruzes; e Suzano.

 

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