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Por aproximação com Auricchio, Pio Mielo pode rever projeto político

Principal liderança do PMDB de São Caetano atualmente – até pelo cargo de presidente da Câmara -, Pio Mielo, segundo vereador mais votado na cidade em 2016, seria o nome natural do partido para a disputar a Prefeitura em 2020. Seria. A aproximação com o prefeito José Auricchio Júnior (PSDB) tende a fazer com que o vereador reveja (ou adie) seu plano de chegar ao Palácio da Cerâmica.

Embora tenha revelado durante a eleição passada que seu projeto seria de apenas quatro anos, pessoas próximas a Auricchio apostam que será difícil – caso chegue bem avaliado perto do próximo pleito – que ele não dispute a reeleição (e, ganhando, entre para a história como o único político a administrar a cidade por quatro mandatos). Aí é que estaria Pio, cogitando até mesmo a vaga de vice – embora possa negar e pregar que ainda é cedo demais para essas projeções.

Com o grupo do ex-prefeito Paulo Pinheiro (PMDB) esfacelado, Auricchio inicia o segundo semestre em relação harmoniosa com o Legislativo, para onde enviou projeto de reforma administrativa nesta terça (01). Além de Pio, conseguiu incluir na base governista os demais vereadores peemedebistas (Suely Nogueira e Sidão da Padaria), sem contar Caio Funaki (PEN) e Ubiratan Figueiredo (PR), eleitos pelas chapas de Gilberto Costa e Fabio Palacio, respectivamente.

Da ala de 11 vereadores que, teoricamente, seriam de oposição (os de PMDB, PEN, PR, PP, PRB e DEM) restaram apenas três: César Oliva (PR), que apoiou Palacio; Chico Bento e Jander Lira, ambos do PP, defensores de Pinheiro. Mas os três preferem ser definidos como “independentes”.

Sustentação

Se nacionalmente o PSDB vive o dilema de sair do governo de Michel Temer, do PMDB (e ver um adversário assumir o comando do país) ou de “morrer abraçado” a um presidente altamente rejeitado, em São Caetano está claro que os dois partidos – que se enfrentaram na eleição de outubro – nunca estiveram tão próximos. Não tem essa de tucano “em cima do muro” e vice-versa (até do processo que a coligação pinheirista movia contra a chapa Auricchio/Beto Vidoski por repasses supostamente ilícitos, oriundos de duas doadoras durante a campanha de 2016, o PMDB abriu mão; o Ministério Público abraçou a ação e a leva adiante).

No último sábado (29), Pio – que trocou o PT pelo PMDB no ano passado – ofereceu um almoço a Auricchio em sua casa, no Bairro Olímpico, sob o pretexto de “projetar o futuro político de São Caetano”. Além do anfitrião e do chefe do Executivo, marcaram presença os vereadores Tite Campanella (PPS); Edison Parra (PSB); Dr. Seraphim e Maurício Fernandes (ambos do DEM); Moacir Rubira (PRB). Funaki, Ubiratan e Suely também. O atual vice-prefeito e secretário de Esporte e Turismo, Beto Vidoski, ficou de fora.

“Estamos construindo uma relação que ultrapassa as fronteiras da política”, pontuou Pio. “Somente com apoio e união enfrentaremos os desafios do município com a assertividade e a agilidade que a população espera”, observou Auricchio.

Tudo bem…

Já no último domingo (30), durante a entrega da Medalha di Thiene em homenagem a moradores ilustres da cidade, o prefeito e o presidente do Legislativo fizeram questão de posar para fotos com Vidoski e demonstrar um clima de total sintonia. O evento, promovido no Salão Nobre da Câmara, integra o calendário de festejos pelos 140 anos de São Caetano, assim como sessão solene realizada na semana passada.

Personalidade influente da política municipal, extremamente integrada ao atual governo, garante ao blog que não há estremecimento entre Vidoski e Auricchio – apesar do aparente distanciamento (Eduardo Vidoski, irmão de Beto e vereador pelo PSDB, também não esteve na casa de Pio). “Até eu queria ter um distanciamento desse, com duas secretarias nas mãos e vários cargos no governo” disse a fonte, preferindo manter o anonimato.

Não apenas a eleição para deputados estaduais e federais, mas a escolha dos novos presidentes dos diretórios municipais do PSDB, em 2018, tende a dar o tom da relação entre Auricchio e seu vice. A expectativa é que o prefeito, que trocou o PTB pelo ninho tucano, passe a ser o novo mandatário da legenda (totalmente reerguida em São Caetano por Vidoski). Pio está de olho!

Em tempo: nesta quinta-feira (03), a Câmara de São Caetano realiza um ato solene em homenagem ao judoca Rogério Sampaio, que durante muito tempo defendeu o nome da cidade em competições nacionais e internacionais. Será no Plenário dos Autonomistas, a partir das 19h.

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