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Paulo Pinheiro diz que entrega Prefeitura de São Caetano “no azul” para Auricchio; equipe do prefeito eleito contesta os números

O prefeito Paulo Pinheiro (PMDB) aproveitou o último dia de expediente no Palácio da Cerâmica para divulgar que entregará o caixa de São Caetano “no azul” para o prefeito eleito, José Auricchio Júnior (PSDB). Ele que já governou a cidade em duas ocasiões pelo PTB – de 2005 a 2008 e de 2009 a 2012 – toma posse neste domingo (1º).

A assessoria de Pinheiro alega que a gestão que agora se despede encontrou a prefeitura “no vermelho”, com R$ 264 milhões em restos a pagar e só R$13,2 milhões em caixa, e que foram pagos R$ 191,2 milhões, restando R$ 72,8 milhões (ainda da última gestão Auricchio). A administração Pinheiro (2013/2016) estaria deixando R$ 77,6 milhões em restos a pagar e R$ 74,1 milhões em caixa para o próximo prefeito.

Auricchio – que teria, portanto, R$ 150,4 milhões para pagar – chegou a dizer que Pinheiro “politizava” a questão, toda vez que ia a público dizer que ele havia deixado uma dívida de quase R$ 300 milhões, em vez de restos a pagar (que são despesas empenhadas até 31 de dezembro de um exercício anterior, mas ainda não pagas). Pessoas próximas ao prefeito eleito contestam os valores anunciados oficialmente pela gestão Paulo Pinheiro.

Segundo Silvio Minciotti, coordenador da equipe de transição de Auricchio, a expectativa é de um rombo muito maior nas contas públicas, porém, só terão acesso a dados mais concretos a partir de 02 de janeiro. “Soam estranhos esses números uma vez que o próprio Paulo Pinheiro chegou a admitir publicamente dificuldades financeiras. Do contrário, ele teria honrado compromissos, pago abono dos educadores, evitado corte do plano de saúde dos servidores (Notredame / Intermédica) e não teria feito malabarismos para colocar funcionários públicos em férias a partir do ano que vem”, analisou o futuro secretário de Desenvolvimento Econômico da cidade.

Orçamento e finanças

O processo de transição em São Caetano foi tumultuado e começou no dia 10 de novembro (mais de um mês após a eleição), com a equipe de Auricchio reclamando a falta de informações por parte da atual administração. Uma das hipóteses para a retenção de dados era a expectativa que a coligação de Pinheiro tinha de reverter no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o resultado do pleito, devido à polêmica das contas do ano de 2012, reprovadas no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) e na Câmara Municipal. Após a análise dos vereadores ser anulada, Auricchio conseguiu virar o jogo em Brasília.

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