Operação de combate a grupo que planejava explodir o Palácio do Planalto e tinha integrante de Pilar do Sul é destaque na Globo

Segundo reportagem do Fantástico, investigação identificou mensagens sobre ataques, explosivos e violência contra instituições; outras sete cidades foram alvo de buscas
Na noite deste domingo (09) o programa Fantástico, da Rede Globo, deu destaque a uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal que revelou um grupo que planejava, pela internet, atentados contra políticos e prédios públicos em Brasília. Entre os alvos da operação, batizada Rede Interrompida, estava um morador de Pilar do Sul, na Região Metropolitana de Sorocaba.
Segundo os policiais, os integrantes eram homens que nunca tinham se encontrado pessoalmente. Nas conversas, monitoradas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, eles falavam em fabricar explosivos e disseminavam discursos de ódio pela rede.
“Vocês deveriam listar os principais alvos para garantir o sucesso da revolução”, dizia uma das mensagens. Outra afirmava: “Muito dificilmente nossos inimigos estão concentrados em um único lugar”.

Entre os planos discutidos, estava o de “explodir o edifício do debate onde os eleitos do 2º turno irão debater”; polícia agiu antes — Foto: Reprodução/TV Globo
As comunicações ocorriam em dois grupos do aplicativo de mensagens Telegram. Um deles utilizava a foto de Adolf Hitler (1889-1945) como imagem de perfil. Entre os planos discutidos, estava o de “explodir o edifício onde os eleitos do 2º turno irão debater”, referindo-se às eleições de outubro.
De acordo com a reportagem, o monitoramento das autoridades revelou que as condutas não eram inofensivas. “Não eram práticas inocentes. O que estava ali sendo engendrado eram atentados sérios”, disse Wellington César Lima e Silva, ministro da Justiça e Segurança Pública, que ressaltou ainda a relevância do caso e que tais comportamentos não podem ser minimizados ou normalizados pela sociedade.
Na última terça-feira (04), a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão em oito cidades de cinco estados brasileiros. Em São Paulo, além de Pilar do Sul, as equipes fizeram diligências em Taubaté, no Vale do Paraíba, e Sumaré, na Região Metropolitana de Campinas.
Conteúdos de ódeio e crimes violentos
Um relatório do Ciberlab, laboratório especializado em crimes cibernéticos, concluiu que o conteúdo compartilhado apresentava elevado grau de periculosidade, planejamento de atos violentos mediante utilização de artefatos explosivos, disseminação de ideologia neonazista e antissemita, além de misoginia e incentivo à violência. O acesso aos grupos era restrito, exigindo links específicos ou buscas por nomes exatos.
O maior grupo tinha mais de 600 integrantes. Quem se mostrava mais radical era convidado para um grupo mais restrito, com 46 homens, em que não trocavam apenas ideias, e sim instruções. Para os ataques, eles estavam difundindo manuais de como construir explosivos, coquetéis Molotov e sobre o desenvolvimento de artefatos explosivos, com o cálculo de quantidades e custos.
Segundo o Ministério da Justiça, os administradores dos grupos tentavam identificar integrantes dispostos a matar. As conversas monitoradas revelaram que o principal objetivo era invadir e explodir prédios públicos, em especial o Palácio do Planalto, com a intenção de não apenas causar destruição, mas enviar, a partir de Brasília, um recado violento e antidemocrático para todo o País.
Eles tinham mapas dos ministérios, do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal, conforme o delegado Maurílio Coelho, da Polícia Civil do DF. “Chegaram, inclusive, a compartilhar a planta baixa do Palácio do Planalto, para mostrar lá: ‘A planta deles é assim, a gente pode entrar por aqui, sair por aqui'”, afirmou.
Nos grupos, a disseminação de ódio contra mulheres era algo frequente. “A gente acredita que eles levariam [o plano] à frente. E a nossa teoria aqui é que a gente não vai pagar para ver”, completou o delegado.

O Ciberlab funciona em uma sala de acesso restrito em Brasília — Foto: Reprodução/TV Globo
O ministro Lima e Silva explicou que hoje em dia a internet representa um número muito expressivo das ocorrências criminais. “Nós temos aqui dentro do Ministério da Justiça o Ciberlab , que capturou essas informações e compartilhou com diversos parceiros.”
O Ciberlab funciona em uma sala de acesso restrito em Brasília. Apenas em 2026, o laboratório especializado em cibersegurança produziu 103 relatórios sobre mais de 50 grupos de ódio diferentes.
Busca e apreensão em Pilar do Sul
Os investigadores identificam quem se esconde por trás dos perfis anônimos: em geral, homens jovens que produzem e compartilham conteúdo racista, misógino e homofóbico – perfil que bate, inclusive, com o do investigado em Pilar do Sul, segundo apuração do Blog do Baena e do Acontece Pilar do Sul.
Durante a ação na cidade, os policiais apreenderam com o acusado um notebook e três celulares, que foram encaminhados ao Distrito Federal. A investigação segue agora com a análise dos dados armazenados nos equipamentos apreendidos também em Curitiba (PR), Corupá (SC), Blumenau (SC), Canoas (RS) e Paulista (PE).
Os investigados devem responder por associação criminosa, apologia e distribuição de material nazista e incitação ao crime. “O sentimento do extremismo será sempre contra o pluralismo. E nós todos, democratas, cidadãos, temos que estar vigilantes em relação a isso”, finalizou o ministro.
Assista ao vídeo com a reportagem completa aqui.
Outro caso
Em janeiro de 2023, outro morador de Pilar do Sul, Jorge Rodrigues da Cunha, na época com 43 anos, foi preso e se tornou réu após ser apontado pela Advocacia-Geral da União (AGU) como um dos suspeitos de financiar o transporte para os atos golpistas de 8 de janeiro, em Brasília. Ele foi detido após participar dos atos de vandalismo na Praça dos Três Poderes e teve seus bens bloqueados.
(Com informações do G1/Fantástico – Rede Globo)
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