Lula inicia no ABC campanha pelo 4º mandato

Presidente levou cerca de 40 mil pessoas ao Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo, onde iniciou na liderança do movimento sindical em 1979
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu o Estádio 1º de Maio, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, para iniciar sua campanha pela reeleição, neste domingo (16). O ato reuniu cerca de 40 mil pessoas, segundo o Partido dos Trabalhadores, e contou com as presenças do vice Geraldo Alckmin (PSB) e do candidato petista ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, entre outras lideranças e candidatos.
“A emoção de hoje é uma emoção ímpar. É uma emoção que estou sentindo muito mais forte do que a que senti em 1979, aqui mesmo neste estádio”, afirmou Lula, 47 anos depois de subir em uma mesa emprestada de um bar para falar, sem microfone, a uma multidão de metalúrgicos em greve, em plena ditadura militar, num dia 13 de março. A paralisação mobilizou cerca de 200 mil operários, enfrentou a repressão do regime militar e resultou na fundação do PT.
Acompanhada por fogos nas cores verde e amarelo, Fafá de Belém cantou o hino nacional. Nos telões, antigos companheiros do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC deram depoimentos sobre as greves que desafiaram a ditadura no fim dos anos 1970 e início dos anos 1980. Em seguida, os trabalhadores que apareciam no vídeo subiram ao palco e abraçaram Lula.
O evento teve ainda homenagens a intelectuais que ajudaram a construir a história do PT, como Florestan Fernandes (1920-1995), Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982), Antonio Candido (1918-2017) e Marco Aurélio Garcia (1941-2017), além de trabalhadores e defensores dos direitos humanos que perderam a vida por suas lutas. Emocionado, Lula recordou ainda que, em 1980, estava preso por causa da greve de 41 dias quando sua mãe, Dona Lindu, morreu e ele foi autorizado a acompanhar o sepultamento.
“Você vê a diferença. No tempo da ditadura militar, um delegado de polícia permitiu que eu saísse da cadeia para ir ao enterro da minha mãe. No regime democrático, um juiz, um ministro que eu indiquei, não permitiu que eu saísse para ir ao enterro do meu irmão”, comparou. Lula se referiu episódio ao que viveu em 2019, quando foi impedido de sair da prisão para o enterro do irmão Vavá.
“Os homens não são medidos pelas épocas. Os homens são medidos pelo caráter, pela dignidade, pela criação que tiveram de berço”, completou o presidente e candidato a um quarto mandato.
Partido construído pela classe trabalhadora
Foi também na Vila Euclides que Lula percebeu que a luta sindical não bastaria para transformar o Brasil. “Eu queria um partido dos trabalhadores para a gente eleger deputado, vereador e prefeito e começar a fazer as coisas em que a gente acredita”, lembrou.
Primeiro presidente eleito três vezes pelo voto popular, Lula afirmou que não aceitará abandonar a luta enquanto houver o risco de retorno da extrema direita, que despreza a vida e os direitos do povo, ao poder. “Enquanto eu estiver vivo, não vou parar de lutar e permitir que volte uma direita que dava risada das crianças que estavam morrendo por falta de remédio e que foi responsável pela morte de centenas de milhares de pessoas na Covid por não comprar a vacina.”
Ao defender educação, saúde, moradia, emprego e oportunidades, Lula omparou os cerca de 2 milhões de postos formais de trabalho gerados durante o governo anterior aos 10,1 milhões criados desde seu retorno à Presidência. O presidente também recordou iniciativas como o Luz para Todos e a Transposição do Rio São Francisco.
Entre as prioridades apresentadas para um possível quarto mandato, estão a ampliação do acesso dos jovens ao ensino superior e à educação profissional e a garantia de escolas de tempo integral em todo o País. Ao relatar uma visita à Universidade Federal do ABC, Lula afirmou ter recebido a informação de que um estudante custa aproximadamente R$ 20 mil por ano, enquanto a manutenção de um preso em São Paulo chega a R$ 35 mil.
“Qual é a lição? Investir em educação é muito mais barato do que investir na cadeia. Temos que dar oportunidade quando as pessoas são crianças e jovens para criar um país mais civilizado”, defendeu.
Lula defendeu ainda a criação do Ministério da Segurança Pública, que o Estado deixe de concentrar sua ação apenas nos territórios pobres e enfrente os verdadeiros chefes e financiadores do crime organizado. O presidente destacou que o caminho para desmontar as organizações criminosas passa pelo bloqueio de contas, pela apreensão de patrimônio e pela retirada do poder econômico de quem lucra com a violência.
Soberania nacional
A defesa da soberania nacional apareceu como outro compromisso central para o próximo mandato. Lula apontou que a disputa mundial por terras raras e minerais críticos coloca o Brasil diante de uma oportunidade histórica de desenvolver tecnologia, fortalecer sua indústria e gerar empregos qualificados.
Segundo o presidente, o Brasil manterá relações com todas as nações, mas não permitirá que potências estrangeiras controlem suas riquezas. “Nós não temos opção pela China nem pelos Estados Unidos. Ninguém vai explorar os nossos minerais. Nós é que vamos explorá-los em benefício do povo brasileiro”, ressaltou.
Para Lula, o País tem todas as condições de assumir um lugar de protagonismo no mundo, desde que invista em educação, ciência, tecnologia e numa indústria capaz de transformar as riquezas nacionais. “Este País está devendo a si mesmo se transformar numa grande nação. E nós vamos fazer deste País uma grande nação.”

Geraldo Alckmin (PSB) e Fernando Haddad (PT), candidato ao Governo de SP, defenderam o legado do presidente Lula e a soberania nacional
Governo paulista
Durante o lançamento da campanha pela reeleição de Lula e Alckmin, o candidato ao governo paulista, Fernando Haddad, destacou a importância da figura do presidente e defendeu a continuidade do projeto de desenvolvimento e ampliação de direitos no País. “Essa estrela chamada Lula nasceu aqui na Vila Euclides. Infelizmente, o sonho de muita gente no Brasil é ver essa estrela apagar. Mas eles vão saber que, mais uma vez, a nossa estrela vai ficar acesa para subir, mais uma vez, a rampa do Palácio do Planalto e dizer que quem manda no Brasil é o povo, não é o dinheiro e não é o poder, mas é o suor de cada trabalhador e de cada trabalhadora“, destacou.
Assim como Haddad, o vice-presidente Geraldo Alckmin defendeu um quarto mandato para Lula. “A reeleição do presidente Lula fortalece a democracia, faz avançar ainda mais as conquistas da nossa população. Cresceu o emprego, a renda, o PIB, a educação, a saúde e a proteção ao meio ambiente.”
Alckmin também relacionou a história industrial do ABC às políticas adotadas pelo governo Lula para estimular a retomada da produção no País. O vice-presidente destacou especialmente os investimentos realizados no setor automobilístico nos últimos três anos.
Ao se despedir da multidão, em São Bernardo do Campo, Lula disse que foi um “ato histórico em defesa da soberania e da luta dos trabalhadores”. “O Estádio 1º de Maio lotado mostrou ao mundo que o Brasil tem dono: o povo brasileiro”, concluiu.
(Fotos: Ricardo Stuckert)
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