Haddad defende reindustrialização de São Paulo, em agenda no Grande ABC

Candidato do PT ao Governo do Estado visitou fábrica em Mauá e prometeu criar banco paulista de financiamento “nos moldes do BNDES”, caso eleito
Em visita a Mauá, na região do Grande ABC, nesta sexta-feira (21), o candidato do PT ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad, defendeu a reindustialização do Estado. Na fábrica da Polimetri Indústria Metalúrgica, ao lado do candidato a vice, Márcio França (PSB), o petista afirmou que, se eleito, irá transformar o Desenvolve SP, que concede linhas de crédito pra empresários, num banco estadual de financiamento nos moldes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Foi a primeira agenda de Haddad como candiato a governador na região. No domingo (16), ele havia participado do lançamento da campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em São Bernardo. “Eu quero ter um banco de desenvolvimento em São Paulo que atue na reindustrialização do Estado, nos moldes do BNDES, porque o mote é o fim da guerra fiscal. A gente tem que entrar convidando gente a abrir indústrias em São Paulo porque São Paulo vai virar, com a Reforma Tributária, o hub mais importante do País de novo”, disse.
Haddad aproveitou para criticar o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) por se colocar contra a Reforma Tributária, aprovada durante o governo o presidente Lula, enquanto ele era ministro da Fazenda. “Eu estou vendo o Flávio Bolsonaro criticar a Reforma Tributária e o Tarcísio (de Freitas), timidamente, defender. É a melhor coisa que poderia ser feita por São Paulo, você acaba com a guerra fiscal, e só não vai acabar amanhã porque os governadores pediram prazo. No plano federal, vai ser imediato.”
Prejuízo à competitividade da indústria paulista
O ex-ministro da Fazenda também destacou que o principal problema da indústria de São Paulo é a concorrência com os chineses. “A China usou de um benefício fiscal de carro elétrico, não só ela, mas ela é a maior produtora de carro elétrico hoje no mundo, e teve uma vantagem muito grande, importando com imposto de importação zero. Isso foi corrigido, mas sobre as autopeças ainda não foram. Então, tem uma demanda do setor automotivo como um todo, de corrigir a distorção com a China em relação às autopeças”, explicou.
Além de defender a reindustrialização de São Paulo, Haddad aproveitou para criticar a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em áreas como a da Educação, citando a queda de sete posições do Estado em quatro anos na avaliação nacional do ensino público. “Não é porque é forasteiro, é que ele não tem compromisso”, declarou, lembrando que o atual governador não pensava em disputar à reeleição, mas se lançar à Presidência.
Enfraquecimento de lideranças de extrema direita
Durante a agenda, o candidato do PT comentou ainda o ambiente político internacional e as eleições presidenciais. Para ele, uma derrota de Flávio Bolsonaro e um revés do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas eleições de meio de mandato podem enfraquecer as lideranças de extrema direita e alterar as condições de negociação entre os países. “Eu acho que a extrema direita no mundo vai passar por um enfraquecimento. Esse tipo de intolerância, de discurso de ódio, de fake news, de intriga, isso não vai perdurar para sempre”, concluiu.
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